A elaboração de um banco de dados governamental sobre violências contra a população LGBTQIA+ brasileira é uma antiga dos movimentos sociais. Desde 2000, organizações como o Grupo Gay da Bahia (GGB) e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) se esforçam para quantificar crimes e violências com motivação LGBTfóbica. Na última quinta-feira (11), um dossiê elaborado pelo Observatório de Mortes Violentas Contra LGBTI+ revelou que o Brasil registrou ao menos 273 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2022 – 228 foram assassinatos, 30 suicídios e 15 outras causas, como morte decorrente de lesões por agressão.
A média é de uma pessoa LGBT+ morta a cada 32 horas. Travestis e transexuais representam maior parte dos mortos (58%), seguidos por gays (35%), lésbicas (3%) e homens trans (3%). Ainda há pequena porcentagem de pessoas não binárias (0,4%) e outras designações (0,4%). De acordo com o relatório, justamente pela ausência de dados oficiais, as principais fontes consultadas foram notícias publicadas na mídia. A coleta de dados foi iniciada em 2000, quando foram computados 130 óbitos. Em 2017, foi registrado o pico da série histórica, com 445 mortos.