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HOME > blogs > MARIANA GAIA
Símbolo da luta pela prevenção do suicídio e a valorização da saúde mental.

BLOG DO
Mariana Gaia

Setembro Amarelo é todo dia – e é urgente.

O mês de setembro é marcado pelo movimento que simboliza a luta pela prevenção do suicídio e a valorização da saúde mental: o Setembro Amarelo. Essa campanha é fruto da iniciativa entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV), e acontece anualmente no Brasil desde 2015, tendo como principal objetivo educar e conscientizar a população a respeito dos sinais de alerta e promover debates sobre saúde mental. A cor amarela simboliza a atenção e a urgência desse tema.


			
				Setembro Amarelo é todo dia – e é urgente.
Símbolo da luta pela prevenção do suicídio e a valorização da saúde mental.. Mariana Gaia

O número de suicídios no Brasil e no mundo é alarmante. A taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano no Brasil entre os anos de 2011 e 2022. Já as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 aumentaram 29% a cada ano nesse mesmo período. O número foi maior que na população em geral, cuja taxa de suicídio teve crescimento médio de 3,7% ao ano e a de autolesão 21% ao ano, neste mesmo período. Esses resultados foram encontrados na análise de um conjunto de quase 1 milhão de dados, divulgados em um estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard.

Apesar da redução de 36% no número de suicídios em escala global, o Brasil fez o caminho inverso. No período entre os anos 2000 e 2019, o número de casos no país subiu 43%. Em relação aos casos de autolesões, a pesquisa do Cidacs/Fiocruz constatou que, no Brasil, em 2022, houve aumento das taxas de notificação em grupos de todas as faixas etárias, desde os 10 aos mais de 60 anos de idade.

O tema é complexo e deve ser tratado com a profundidade que demanda. É comum que, sobretudo no período do Setembro Amarelo, o tema do suicídio seja amplamente relacionando a quadros de transtornos mentais. Entretanto, não podemos reduzir a discussão relacionando-o apenas a transtornos individualizados. Apesar do Brasil ser o país com maior proporção de pessoas ansiosas no mundo: 9,3% da população, segundo a última estimativa global de transtornos mentais feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, além disso, ser o segundo das Américas com maior prevalência de depressão; não podemos considerar que transtornos mentais como a depressão, por exemplo, são explicações unicausais para o suicídio. Fatores de ordem política, cultural, racial, social e econômica, não podem ficar de fora dessa discussão.

Enquanto as questões de saúde mental forem encaradas como transtornos individualizados, sem considerar aspectos sociais e coletivos do cuidado emocional, nossas ações e políticas de saúde pública para o suicídio serão insuficientes e inexpressivas.

Prevenir o suicídio não é só sobre evitar mortes, é sobre cuidar, sobre auxiliar pessoas a ter uma vida que é possível viver, é garantir, no mínimo, condições básicas previstas para manutenção do bem-estar geral de um indivíduo. Além disso, precisamos discutir sobre pósvenção, o Brasil necessita ter um plano consolidado, uma política pública nacional que abranja um conjunto de ações para promoção do cuidado prestado aos sobreviventes enlutados por um suicídio, tanto para evitar que novas tentativas aconteçam no mesmo núcleo, quanto para prestar suporte e favorecer a reestruturação dos envolvidos.

Durante o mês de setembro, o Ministério da Saúde divulga uma série de conteúdos sobre saúde mental e, embora informação seja imprescindível, entende-se que não bastam apenas campanhas que deem luz ao tema, precisamos ter uma estrutura (pública) que de fato oferte condições de cuidado, prevenção e pósvenção - eficientes.

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