
Com a chegada do outono, os dias ficam mais fresquinhos, o clima muda… e, junto com isso, aumentam também os casos de doenças respiratórias entre os pequenos – especialmente nos bebês. Uma das mais comuns e preocupantes nessa época é a bronquiolite.
Se você é mãe, pai ou cuidador, é natural sentir um aperto no coração ao ver seu bebê com tosse, chiado no peito ou dificuldade para respirar. Por isso, quero te ajudar a entender o que está por trás disso e, principalmente, como você pode proteger seu filho com carinho, presença e atitudes simples no dia a dia.
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O que é bronquiolite?
É uma infecção viral que inflama os bronquíolos – os canais bem pequenininhos que levam o ar até os pulmões. Costuma ser causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (o famoso VSR), mas pode estar relacionada a outros vírus também.
Ela afeta principalmente os bebês menores de dois anos, com maior gravidade nos primeiros seis meses de vida. Os sintomas mais comuns são tosse, chiado no peito, respiração rápida e ofegante, além de febre e dificuldade para mamar.
Por que ela aparece mais no outono?
Nessa estação, o ar fica mais seco, as temperaturas caem e, muitas vezes, os ambientes ficam fechados – tudo isso favorece a propagação dos vírus. Bebês, com seu sistema imunológico ainda imaturo e as vias respiratórias mais estreitas, são os mais sensíveis a essas mudanças.
Um alerta que chegou às redes sociais
Recentemente, o caso do pequeno José Leonardo, filho da influenciadora Virgínia Fonseca, chamou a atenção de milhares de famílias. O bebê precisou ser internado após apresentar um quadro de bronquiolite, mesmo recebendo todos os cuidados com muito amor, atenção e acompanhamento.
Essa situação nos lembra que, mesmo com todo o cuidado do mundo, os bebês estão suscetíveis – e que informação e acolhimento fazem toda a diferença na hora de agir com segurança.
A boa notícia é que, com algumas atitudes simples no dia a dia, é possível reduzir bastante o risco de infecção. Aqui vão algumas dicas práticas que fazem toda a diferença:
• Lave as mãos com frequência: parece simples, mas é uma das formas mais eficazes de evitar o contágio.
• Evite contato com pessoas gripadas ou resfriadas, especialmente em ambientes fechados.
• Ventile a casa todos os dias, mesmo nos dias mais frios. Ar fresco ajuda a renovar o ambiente.
• Mantenha a amamentação sempre que possível: o leite materno é um verdadeiro “remédio natural” para o sistema imunológico.
• Evite exposição à fumaça, poeira e cheiros fortes: eles irritam as vias respiratórias e favorecem infecções.
• Vacinas em dia: incluindo a nova vacina contra o VSR para grupos de risco, que passou a ser oferecida no SUS em 2024. Converse com o pediatra!
E se o bebê adoecer?
Nem sempre conseguimos evitar tudo. Então, é importante saber quando buscar ajuda. Procure atendimento médico se o seu bebê apresentar:
• Respiração acelerada ou com esforço (observe se as costelinhas “afundam” ao respirar)
• Recusa alimentar
• Sonolência excessiva ou irritabilidade
• Chiado intenso no peito
• Lábios ou unhas com coloração arroxeada
Olhar para o bebê como um todo
Mais do que tratar sintomas, é essencial cuidar do ambiente emocional e físico em que o bebê cresce. Isso envolve rotina com aconchego, alimentação equilibrada, sono de qualidade e muita presença.
Nosso papel como pediatras vai além da prescrição – queremos te ajudar a criar um ambiente seguro, leve e saudável para o desenvolvimento do seu filho. Porque cuidar de um bebê é também cuidar de uma nova vida cheia de possibilidades.
Se neste outono a bronquiolite te preocupa, lembre-se: você não está sozinha. Informação, prevenção e carinho são os melhores aliados.
Me acompanhe nas redes sociais (@dra.betinaqb) para mais conteúdos sobre saúde infantil e dicas práticas para cuidar com leveza e confiança. Em breve, vou dedicar uma série de posts especialmente sobre bronquiolite e como atravessar essa fase com mais tranquilidade.
Betina Braga
Médica especializada em saúde infantil.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.